"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para se fazer e se viver." by Dalai Lama
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** By ROBERTO CHRISTO **
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Loucuras de Uma Mente Cansada
Há muito tempo não assistia à um filme que me tocasse tanto como o Cisne Negro, acho que foi pelo fato do filme explorar os planos fechados, próximos, o escuro, o excesso de espelhos, câmera nervosa, enfim, isto tudo é bem a minha cara. No início, achei que o roteiro fosse algo sem grande impacto ou sem possibilidade de criar uma história, mas ao final de um dia que passei assistindo filmes e lendo, consegui me dar conta que o filme também pode nos fazer pensar na complexidade das personalidades humanas.
Para muitos que são apenas repetidores de idéias, conceitos, condutas e moral, taxar a personagem principal como louca, é o mais fácil e cômodo.
Para aqueles que se deliciam na tentativa de analisar o comportamento humano, o filme é um prato cheio. Para mim, principalmente, foi um imersão total em um mundo de cobranças, cobranças estas que são introjetadas como conceitos de boa conduta, uma introjeção ditatória que não nos permite refletir sobre o seu real valor. As vezes, como artista, tento esquecer o limiar da realidade e da arte para que eu obtenha um resultado melhor na obra e ao contrario do esperado, recebo uma crítica destrutiva e todos torcem o nariz para a minha criação. A minha reação? Continuar correndo atrás de um sucesso ou reconhecimento. Como eu sou Ridículo!!
Bem, continuando o raciocínio sobre o filme, a minha loucura se transformou em uma tempestade mental, pois no mesmo dia que assisti ao Cisne negro, eu revi o filme “Milk”, e li as opiniões escritas por inernautas anônimos sobre o programa Big Brother, atualmente sendo exibido na TV. Para quem lê vai pensar: E o que uma coisa tem a ver com a outra? Tudo.
A sociedade, em geral, (incluindo eu) é uma mera repetidora dos dogmas, de uma forçada moral de conduta, de uma mediocridade fantasmagórica. Poucos são capazes de contestarem, de analisarem a obra e sua complexidade. Vamos lá, no “Milk” a sociedade repugna a homossexualidade com medo do diferente ou por pura ignorância ou pela cegueira destas religiões cretinas. No Big Brother, o participante rejeita a relação com uma outra participante, pois ouviu dizer que esta já havia trabalhado em sites pornôs (ou algo do tipo) e o pior, é apoiado por uma tropa de internautas machistas (de ambos os sexos), no Cisne Negro, os espectadores saem estarrecidos dizendo: O que a loucura é capaz de fazer!!
Enfim todas estas reações não passam da eterna mediocridade de repetir aquilo que a sociedade nos introjetou como a conduta da moral e dos bons costumes, como a conduta do normal. Aquilo que cega e emburrece o ser, o impede de refutar as questões da personalidade humana que a religião nos enfia goela abaixo. Criar as próprias idéias, os próprios conceitos passou a ser um processo de poucos, repetir os pensamentos comuns como grande novidades passou a ser uma ação do todo. Até quando vamos continuar fechando os olhos para os absurdos dos dogmas religiosos que incitam o desrespeito aos homossexuais? Ou para uma sociedade que diminui um ser humano que tem a coragem de se mostrar na sua forma mais pura e natural? Desnuda! Ou finalmente taxando de louca uma pessoa que cobrada por esta mesma sociedade a ser sempre o melhor e maior, esquecer o limite da realidade e da personagem a fim de proporcionar a obra perfeita para o deleite, outra vez, desta sociedade medíocre?
Abraços,
Para muitos que são apenas repetidores de idéias, conceitos, condutas e moral, taxar a personagem principal como louca, é o mais fácil e cômodo.
Para aqueles que se deliciam na tentativa de analisar o comportamento humano, o filme é um prato cheio. Para mim, principalmente, foi um imersão total em um mundo de cobranças, cobranças estas que são introjetadas como conceitos de boa conduta, uma introjeção ditatória que não nos permite refletir sobre o seu real valor. As vezes, como artista, tento esquecer o limiar da realidade e da arte para que eu obtenha um resultado melhor na obra e ao contrario do esperado, recebo uma crítica destrutiva e todos torcem o nariz para a minha criação. A minha reação? Continuar correndo atrás de um sucesso ou reconhecimento. Como eu sou Ridículo!!
Bem, continuando o raciocínio sobre o filme, a minha loucura se transformou em uma tempestade mental, pois no mesmo dia que assisti ao Cisne negro, eu revi o filme “Milk”, e li as opiniões escritas por inernautas anônimos sobre o programa Big Brother, atualmente sendo exibido na TV. Para quem lê vai pensar: E o que uma coisa tem a ver com a outra? Tudo.
A sociedade, em geral, (incluindo eu) é uma mera repetidora dos dogmas, de uma forçada moral de conduta, de uma mediocridade fantasmagórica. Poucos são capazes de contestarem, de analisarem a obra e sua complexidade. Vamos lá, no “Milk” a sociedade repugna a homossexualidade com medo do diferente ou por pura ignorância ou pela cegueira destas religiões cretinas. No Big Brother, o participante rejeita a relação com uma outra participante, pois ouviu dizer que esta já havia trabalhado em sites pornôs (ou algo do tipo) e o pior, é apoiado por uma tropa de internautas machistas (de ambos os sexos), no Cisne Negro, os espectadores saem estarrecidos dizendo: O que a loucura é capaz de fazer!!
Enfim todas estas reações não passam da eterna mediocridade de repetir aquilo que a sociedade nos introjetou como a conduta da moral e dos bons costumes, como a conduta do normal. Aquilo que cega e emburrece o ser, o impede de refutar as questões da personalidade humana que a religião nos enfia goela abaixo. Criar as próprias idéias, os próprios conceitos passou a ser um processo de poucos, repetir os pensamentos comuns como grande novidades passou a ser uma ação do todo. Até quando vamos continuar fechando os olhos para os absurdos dos dogmas religiosos que incitam o desrespeito aos homossexuais? Ou para uma sociedade que diminui um ser humano que tem a coragem de se mostrar na sua forma mais pura e natural? Desnuda! Ou finalmente taxando de louca uma pessoa que cobrada por esta mesma sociedade a ser sempre o melhor e maior, esquecer o limite da realidade e da personagem a fim de proporcionar a obra perfeita para o deleite, outra vez, desta sociedade medíocre?
Abraços,
Roberto
domingo, 30 de janeiro de 2011
Gays são agredidos em novo caso na região da Paulista
São Paulo - Um estudante de 27 anos afirmou que ele e um amigo foram vítimas de mais um ataque homofóbico na região da Avenida Paulista, na madrugada de terça-feira, aniversário de São Paulo. Com esse, são pelo menos cinco casos desde 14 de novembro, quando quatro adolescentes e um jovem de 19 anos cometeram agressões na mesma avenida.
Por volta das 4 horas, Fábio (nome fictício) e o amigo caminhavam na Rua Peixoto Gomide, quase na esquina com a Rua Frei Caneca, quando ele levou uma garrafada no olho direito. O estudante conta que não viu os agressores se aproximarem. Ao tomar a garrafada, ouviu o amigo que o acompanhava gritando para que corresse. O outro rapaz levou um soco no peito e notou que um dos agressores tinha a cabeça raspada, outro tinha tatuagens, e que todo o grupo vestia roupas pretas --seriam skinheads.
Fábio é homossexual e mora na zona oeste. Seu marido está na Alemanha, onde se casaram --o país permite a união entre pessoas do mesmo sexo. Ele diz estar convicto de que o ataque teve motivação homofóbica porque as roupas que usa e a entonação da voz indicariam sua orientação sexual. Ele lamenta o fato e diz não compreender a motivação para agressões gratuitas como as que têm acontecido na região da Paulista. "Não sei se isso é estimulado por comportamento familiar, programas na TV... Não sei interpretar o que acontece na cabeça da pessoa para ter um comportamento desse tipo", afirma.
Após a agressão, Fábio correu para um posto de gasolina com sangramento no olho e no rosto. Foi nesse momento que o estudante teria, pela primeira vez naquele dia, o sentimento de desamparo. Não foi atendido pelos funcionários do posto quando pediu água e um pano para limpar a ferida.
O amigo tentou ligar para a polícia, mas não foi atendido. Fábio então procurou a base móvel da Polícia Militar na Paulista, nas proximidades com a Rua Haddock Lobo. Ele se queixa que os policiais não chamaram reforço para tentar buscar os agressores. "Pelo jeito, pensaram que tinha sido uma briga de balada." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Por volta das 4 horas, Fábio (nome fictício) e o amigo caminhavam na Rua Peixoto Gomide, quase na esquina com a Rua Frei Caneca, quando ele levou uma garrafada no olho direito. O estudante conta que não viu os agressores se aproximarem. Ao tomar a garrafada, ouviu o amigo que o acompanhava gritando para que corresse. O outro rapaz levou um soco no peito e notou que um dos agressores tinha a cabeça raspada, outro tinha tatuagens, e que todo o grupo vestia roupas pretas --seriam skinheads.
Fábio é homossexual e mora na zona oeste. Seu marido está na Alemanha, onde se casaram --o país permite a união entre pessoas do mesmo sexo. Ele diz estar convicto de que o ataque teve motivação homofóbica porque as roupas que usa e a entonação da voz indicariam sua orientação sexual. Ele lamenta o fato e diz não compreender a motivação para agressões gratuitas como as que têm acontecido na região da Paulista. "Não sei se isso é estimulado por comportamento familiar, programas na TV... Não sei interpretar o que acontece na cabeça da pessoa para ter um comportamento desse tipo", afirma.
Após a agressão, Fábio correu para um posto de gasolina com sangramento no olho e no rosto. Foi nesse momento que o estudante teria, pela primeira vez naquele dia, o sentimento de desamparo. Não foi atendido pelos funcionários do posto quando pediu água e um pano para limpar a ferida.
O amigo tentou ligar para a polícia, mas não foi atendido. Fábio então procurou a base móvel da Polícia Militar na Paulista, nas proximidades com a Rua Haddock Lobo. Ele se queixa que os policiais não chamaram reforço para tentar buscar os agressores. "Pelo jeito, pensaram que tinha sido uma briga de balada." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
O Abuso, Audácia e Ousadia do Vaticano com o Brasil

João Braz de Aviz, arcebispo de Brasília, afirma que a presidente Dilma Rousseff precisa explicar melhor o que pensa a respeito de certos assuntos à igreja.
COMO ASSIM?
Não estamos mais na época da inquisição, não somos mais colônia de Portugal que infestou este país de catequizadores que exterminaram nossos índios, perseguiram inocentes por causa de seus credos (sobretudo os afro-descendentes que tinham crenças trazidas da África), dominaram os tribunais com julgamentos baseados em absurdas leis religiosas.
Aqui vai o meu CALA A BOCA JOÃO BRAZ!!! O Brasil é uma nação laica e nossa presidente não precisa se submeter a um abuso deste nível.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
SP: Protesto contra a doceria Ofner reúne cerca de 100 pessoas
Fonte: A Capa - Por Marcelo Hailer 12/12/2010 - 23:51

Aconteceu neste domingo (12), um beijaço promovido pelo grupo virtual "Ato Anti-Homofobia", em frente à doceria Ofner, que fica na região dos Jardins, em São Paulo. O motivo: um casal gay foi destratado pelo segurança da loja ao trocarem carícias.
A reportagem chegou ao local por volta das 17h30 e encontrou um discreto mas animado grupo de pessoas. Elas demonstravam ansiedade e temeridade com a possibilidade de o ato se tornar um fracasso. Conversamos com Mariana Motta, 22, estudante de arquitetura, que pediu para não ter o nome da universidade divulgado por medo de "represálias".
Animada, Mariana disse que em pouco tempo de existência o coletivo virtual, que tem a sua página no Facebook, já conta com mais de 900 participantes. Também disse que no sábado (11) ela e seus amigos foram fazer panfletagem sobre a manifestação na Praça Benedito Calixto e na rua Augusta.
Por volta das 18h15, começaram a chegar os manifestantes munidos de dezenas de guarda-chuvas com as cores do arco-íris e com inúmeros cartazes. Quem marcou presença no ato foi o jornalista Leão Lobo, que se declarou "muito assustado" com a onda de ataques homofóbicos.
Lobo contou que uma vez já foi ameaçado por skinheads. "Estava com uns amigos em um café no Copam, de repente escutei 'Leão Lobo', fui olhar imaginando que fossem fãs, mas não, um careca mostrou o dedo do meio e vi que em sua camiseta tinha uma suástica", disse o jornalista.
Em seguida, Lobo aproveitou para criticar também a censura da Rede Globo em relação aos beijos gays. "Hoje nós vivemos a era do não beijo. É muito engraçado, a Globo coloca gays em todas as suas novelas, mas sempre censura o beijo entre eles. E ainda vemos o Walcyr Carrasco dizer que a culpa é do Ministério Público. É muito fácil jogar a culpa nos outros", protestou.
O casal vítima de homofobia dentro da loja da Ofner, Marcelo, 33, e Lucio, 30 (foto), participaram do ato. Eles relataram exatamente o que aconteceu. Segundo Lucio, o casal começou uma brincadeira de cronometrar o tempo que a amiga iria levar no banheiro. Depois de trinta minutos de espera, Marcelo, que estava cansado, encostou a cabeça no ombro do namorado. Nesse instante, o segurança cutucou Lucio e chamou a atenção dos dois.
"De uma forma muito grosseira ele disse que aquele lugar (Ofner) era de família e que não eram permitidas atitudes 'bichas' no ambiente", denunciou Lucio. "Nós pedimos para chamar o gerente, que no início se negou a falar com a gente, depois, veio defender a loja. Quando disse que íamos processar, ele mudou o discurso e veio pedir desculpas", contou Lucio, que junto com o namorado abriu processo contra a Ofner baseado na lei 10.948, que pune estabelecimentos que discriminam homossexuais no Estado de São Paulo.
Quem causou frisson ao chegar ao local foi a Tchaka Drag, desta vez acompanhada da também drag Bill da Pizza. "Hey Ofner, pode preparar o meu café e baixar o preço do panetone!", avisou Tchaka Drag. Neste momento, quem também chegou foi a reportagem do programa "CQC". O repórter Rafael Cortez e as duas drags fizeram inúmeras cenas.
Inevitavelmente, muitos clientes da doceria quiseram saber o que estava acontecendo. A maioria desconhecia o ocorrido e passou a apoiar os manifestantes. Por volta das 19h, Tchaka Drag levou todo mundo para a entrada principal da doceria e protagonizou o beijo coletivo. Nem o repórter Rafael Cortez saiu ileso do ato.
Após o beijaço, o grupo, que já somava mais de 100 pessoas, seguiu para a avenida Paulista com destino ao número 700, local onde ocorreu a primeira agressão homofóbica, no último mês de novembro. Ao término do ato, Bill da Pizza leu o manifesto do grupo e pediu aos presentes que se "politizem", lembrando também que as candidatas Iara Bernardi e Fátima Cleide, ambas do PT, não se elegeram. "E gente, o Jean Wyllys não se elegeu com o voto da comunidade gay", disse Bill da Pizza.
Dimitri Sales, da Coordenação de Política Públicas LGBT de São Paulo, disse que estava feliz com a manifestação e que o ato "faz bem para o movimento". "Chegamos em um momento irreversível, é agora ou nunca para lutarmos pelos nossos direitos", discursou

Aconteceu neste domingo (12), um beijaço promovido pelo grupo virtual "Ato Anti-Homofobia", em frente à doceria Ofner, que fica na região dos Jardins, em São Paulo. O motivo: um casal gay foi destratado pelo segurança da loja ao trocarem carícias.
A reportagem chegou ao local por volta das 17h30 e encontrou um discreto mas animado grupo de pessoas. Elas demonstravam ansiedade e temeridade com a possibilidade de o ato se tornar um fracasso. Conversamos com Mariana Motta, 22, estudante de arquitetura, que pediu para não ter o nome da universidade divulgado por medo de "represálias".
Animada, Mariana disse que em pouco tempo de existência o coletivo virtual, que tem a sua página no Facebook, já conta com mais de 900 participantes. Também disse que no sábado (11) ela e seus amigos foram fazer panfletagem sobre a manifestação na Praça Benedito Calixto e na rua Augusta.
Por volta das 18h15, começaram a chegar os manifestantes munidos de dezenas de guarda-chuvas com as cores do arco-íris e com inúmeros cartazes. Quem marcou presença no ato foi o jornalista Leão Lobo, que se declarou "muito assustado" com a onda de ataques homofóbicos.
Lobo contou que uma vez já foi ameaçado por skinheads. "Estava com uns amigos em um café no Copam, de repente escutei 'Leão Lobo', fui olhar imaginando que fossem fãs, mas não, um careca mostrou o dedo do meio e vi que em sua camiseta tinha uma suástica", disse o jornalista.
Em seguida, Lobo aproveitou para criticar também a censura da Rede Globo em relação aos beijos gays. "Hoje nós vivemos a era do não beijo. É muito engraçado, a Globo coloca gays em todas as suas novelas, mas sempre censura o beijo entre eles. E ainda vemos o Walcyr Carrasco dizer que a culpa é do Ministério Público. É muito fácil jogar a culpa nos outros", protestou.
O casal vítima de homofobia dentro da loja da Ofner, Marcelo, 33, e Lucio, 30 (foto), participaram do ato. Eles relataram exatamente o que aconteceu. Segundo Lucio, o casal começou uma brincadeira de cronometrar o tempo que a amiga iria levar no banheiro. Depois de trinta minutos de espera, Marcelo, que estava cansado, encostou a cabeça no ombro do namorado. Nesse instante, o segurança cutucou Lucio e chamou a atenção dos dois.
"De uma forma muito grosseira ele disse que aquele lugar (Ofner) era de família e que não eram permitidas atitudes 'bichas' no ambiente", denunciou Lucio. "Nós pedimos para chamar o gerente, que no início se negou a falar com a gente, depois, veio defender a loja. Quando disse que íamos processar, ele mudou o discurso e veio pedir desculpas", contou Lucio, que junto com o namorado abriu processo contra a Ofner baseado na lei 10.948, que pune estabelecimentos que discriminam homossexuais no Estado de São Paulo.
Quem causou frisson ao chegar ao local foi a Tchaka Drag, desta vez acompanhada da também drag Bill da Pizza. "Hey Ofner, pode preparar o meu café e baixar o preço do panetone!", avisou Tchaka Drag. Neste momento, quem também chegou foi a reportagem do programa "CQC". O repórter Rafael Cortez e as duas drags fizeram inúmeras cenas.
Inevitavelmente, muitos clientes da doceria quiseram saber o que estava acontecendo. A maioria desconhecia o ocorrido e passou a apoiar os manifestantes. Por volta das 19h, Tchaka Drag levou todo mundo para a entrada principal da doceria e protagonizou o beijo coletivo. Nem o repórter Rafael Cortez saiu ileso do ato.
Após o beijaço, o grupo, que já somava mais de 100 pessoas, seguiu para a avenida Paulista com destino ao número 700, local onde ocorreu a primeira agressão homofóbica, no último mês de novembro. Ao término do ato, Bill da Pizza leu o manifesto do grupo e pediu aos presentes que se "politizem", lembrando também que as candidatas Iara Bernardi e Fátima Cleide, ambas do PT, não se elegeram. "E gente, o Jean Wyllys não se elegeu com o voto da comunidade gay", disse Bill da Pizza.
Dimitri Sales, da Coordenação de Política Públicas LGBT de São Paulo, disse que estava feliz com a manifestação e que o ato "faz bem para o movimento". "Chegamos em um momento irreversível, é agora ou nunca para lutarmos pelos nossos direitos", discursou
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
DRAUZIO VARELLA - Violência contra homossexuais
Negar direitos a casais do mesmo sexo é imposição que vai contra princípios elementares de justiça
A HOMOSSEXUALIDADE é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.
Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência a mulheres e a homens homossexuais. Apesar de tal constatação, esse comportamento ainda é chamado de antinatural.
Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (leia-se Deus) criou os órgãos sexuais para a procriação; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele).
Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?
Se a homossexualidade fosse apenas uma perversão humana, não seria encontrada em outros animais. Desde o início do século 20, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.
Em alguma fase da vida de virtualmente todas as espécies de pássaros, ocorrem interações homossexuais que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em orgasmo e ejaculação.
Comportamento homossexual foi documentado em fêmeas e machos de ao menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, hamsters, cobaias, coelhos, porcos-espinhos, cães, gatos, cabritos, gado, porcos, antílopes, carneiros, macacos e até leões, os reis da selva.
A homossexualidade entre primatas não humanos está fartamente documentada na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no "Journal of Animal Behaviour" um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre os machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.
Masturbação mútua e penetração anal estão no repertório sexual de todos os primatas já estudados, inclusive bonobos e chimpanzés, nossos parentes mais próximos.
Considerar contra a natureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas.
Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por mero capricho. Quer dizer, num belo dia, pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas, como sou sem-vergonha, prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.
Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.
A sexualidade não admite opções, simplesmente se impõe. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.
Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países o fazem com o racismo.
Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais que procurem no âmago das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal aceitam a alheia com respeito e naturalidade.
Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social.
Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser nazistas a ponto de pretender impor sua vontade aos mais esclarecidos.
Afinal, caro leitor, a menos que suas noites sejam atormentadas por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu por 30 anos?
A HOMOSSEXUALIDADE é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.
Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência a mulheres e a homens homossexuais. Apesar de tal constatação, esse comportamento ainda é chamado de antinatural.
Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (leia-se Deus) criou os órgãos sexuais para a procriação; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele).
Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?
Se a homossexualidade fosse apenas uma perversão humana, não seria encontrada em outros animais. Desde o início do século 20, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.
Em alguma fase da vida de virtualmente todas as espécies de pássaros, ocorrem interações homossexuais que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em orgasmo e ejaculação.
Comportamento homossexual foi documentado em fêmeas e machos de ao menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, hamsters, cobaias, coelhos, porcos-espinhos, cães, gatos, cabritos, gado, porcos, antílopes, carneiros, macacos e até leões, os reis da selva.
A homossexualidade entre primatas não humanos está fartamente documentada na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no "Journal of Animal Behaviour" um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre os machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.
Masturbação mútua e penetração anal estão no repertório sexual de todos os primatas já estudados, inclusive bonobos e chimpanzés, nossos parentes mais próximos.
Considerar contra a natureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas.
Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por mero capricho. Quer dizer, num belo dia, pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas, como sou sem-vergonha, prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.
Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.
A sexualidade não admite opções, simplesmente se impõe. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.
Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países o fazem com o racismo.
Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais que procurem no âmago das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal aceitam a alheia com respeito e naturalidade.
Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social.
Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser nazistas a ponto de pretender impor sua vontade aos mais esclarecidos.
Afinal, caro leitor, a menos que suas noites sejam atormentadas por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu por 30 anos?
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