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** By ROBERTO CHRISTO **

terça-feira, 11 de maio de 2010

O Direito de Amar (A Single Man) by Tom Ford

Há duas semanas atrás eu tive a feliz oportunidade de assistir ao primeiro filme do estilista americano Tom Ford. Fiquei impressionado com a beleza do filme. O roteiro foi uma adaptação do livro de Christopher Isherwood, uma linda estória sobre a solidão de um homem que perde o namorado em um acidente de carro. A estória é contada de maneira sutil, cheia de "entrelinhas" que demonstram o preconceito velado à homossexualidade da época e que existe até hoje. Tudo isto muito bem colocado no tom exato pelo magnífico ator, Colin Firth. É impressionante a atuação dele na cena que o personagem recebe o telefonema comunicando a morte do companheiro.

A fotografia é algo estonteador, o filme é quase todo sépia e alguns detalhes que remetem à fantasia são mostrados em cores vivas. A produção de arte é perfeita e muitas vezes me lembrou as estéticas produções publicitárias de moda.

O filme é nota 10 e vale a pena ser visto.

sábado, 1 de maio de 2010

Wilhelm von Gloeden, O Fotógrafo. Bravo!


Gloeden nasceu em Mecklenburg (Norte da Alemanha), no ano de 1856. Filho de um oficial, que morreu quando Wilhelm ainda era uma criança, Gloeden foi criado por sua mãe que se casou novamente com um político conservador e jornalista chamado Wilhelm Joachim Baron von Hammerstein. Terminado o colégio Gloeden estudou história da arte na Universidade de Rostock mas logo depois abandonou o curso para estudar pintura em Weimar.
Devido a uma tuberculose, no ano de 1878 mudou-se para a Itália com a esperança de curar-se. Se estabeleceu em Taormina , uma pequena cidade litorânea da Sicília, local em que Gloeden curou-se da tuberculose e chamou de "Paraíso na Terra". O pintor Otto Geleng que viveu em Taormina lhe falara deste lugar paradisíaco.
Maravilhado pelas paisagens sicilianas, e sobretudo pela beleza selvagem e bruta dos jovens paisanos de Taormina, ele se inicia na arte da fotografia, ajudado tanto pelos fotógrafos locais quanto por seu primo Wilhelm von (ou Guglielmo) Plüschow que viveu em Nápoles e que era também fascinado pelos corpos dos jovens italianos do Sul da Itália. Aproximadamente em 1880, Von Gloeden se torna rapidamente famoso por seus cliques de efebos cujas poses foram bastante inspiradas na arte da Antiguidade. Ela focalizava em fotografias de garotos nus em cenas bucólicas que inspiravam-se na antiguidade grega tornando-se assim um pioneiro na fotografia ao ar livre.
Ao contrário do que se pode pensar, seu trabalho não era clandestino, considerando a pesada atmosfera homofóbica da época. Muitas imagens eram publicadas em grandes revistas da época e exposições com a arte de Gloeden eram feitas, tanto que em 1899 a Sociedade Fotográfica de Berlim convidou-o para ministrar uma palestra sobre fotografia ao ar livre.
Von Gloeden pagava seus modelos, isso explica em grande parte a tolerância dos habitantes daquela região pobre da Itália em relação à sua atividade. Além disso pode-se atribuir outras causas à popularidade das fotografias entre elas destacam-se:
- Gloeden era um excelente fotógrafo.
- Ele introduziu novas técnicas na produção fotográfica, o que tornou seu trabalho uma referência na perfeição artística.
- Para aquele tempo, a retratação do nu masculino era algo novo e fora do comum.
- O tema homossexual de suas imagens era algo revolucionário para os padrões da época.
- Gloeden se valeu de temas clássicos, que denotaram grande singularidade a seu trabalho.

O número de modelos fotografados por von Gloeden é superior a 7.000 e são de sua autoria mais de 3.000 fotografias, sendo que a maioria delas não chegaram aos dias atuais. Grande parte das imagens foram perdidas depois da I Guerra Mundial, quando no ano de 1936 a polícia de Mussolini destruiu mais de 2.500 fotografias sob a alegação de que elas constituíam pornografia.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Muito Interessante este Trabalho de Análise Mercadológica

FONTE: www.cibersociedad.net
CONFERÊNCIA POR: Denise Fernandes Britto
(Durante o IV Congresso de Ciber Sociedade 2009)


Grupo de Trabalho D-53: Cinema e produção audiviovisual
Aspectos mercadológicos do Cinema de Retomada no Brasil

Resumo
A produção fílmica no Brasil, no contexto da globalização, vivencia o chamado Cinema de Retomada, inaugurado a partir da década de 1990. Ainda que não se caracterize como um movimento, é possível identificar uma produção mais estável, amparada por investimentos financeiros. Tal cenário, todavia, não compromete as referências críticas e de identidade nacional, o que reforça ainda mais a falsa dicotomia arte x indústria. Tendo em vista esse panorama, este ensaio se propõe a estudar, de forma introdutória, as relações mercadológicas intrínsecas à produção do cinema nacional contemporâneo. Para isso, nos valemos de estudos teóricos das áreas do Cinema, da Comunicação e do Marketing.

Texto da comunicação
Introdução

Este ensaio busca identificar a dimensão mercadológica do cinema brasileiro na atualidade (a partir da década de 90), que alia características artísticas a um cenário corporativo. Portanto, nosso objeto de estudo é a produção fílmica contemporânea no Brasil, a partir da década de 1990, que marca a fase conhecida como Cinema de Retomada. Nosso olhar se dá a partir das relações de mercado intrínsecas a esta produção que mantêm preservadas importantes características estéticas e artísticas.

Adentrando em outros movimentos, percebemos que para compreender o cinema brasileiro em sua fase atual já não cabe adotar a postura da crítica ideológica, prevalecente na década de 1970, e que propunha uma falsa dicotomia de um cinema massivo alienante e uma arte de difícil compreensão.

Para nossa análise, utilizamos o método dialético de análise que nos permite, por meio de uma contraposição de informações, sintetizar novos parâmetros acerca do objeto estudado. Como este estudo se encontra em fase inicial – tendo em vista a amplitude de seu tema -, utilizamos, neste artigo, uma pesquisa bibliográfica nas áreas de Comunicação, Cinema e Marketing.

Buscamos perceber alguns aspectos das condições de produção do cinema brasileiro contemporâneo, no intuito de responder à seguinte problemática: como se dá a relação entre a indústria cinematográfica - que injeta recursos materiais – e o cinema de arte nacional, que mantém marcas autorais e forte influência artístico-literária?

Levando-se em conta a heterogeneidade típica da produção artística, iremos, no decorrer da pesquisa, nos remeter a um grupo de filmes que mantêm uma originalidade do movimento cinematográfico nacional e são sustentados por uma engrenagem corporativa. Ilustram esse cenário títulos como O auto da compadecida (2000), O coronel e o Lobisomen (2005), Lisbela e o prisioneiro (2003), Romance (2008), O Cheiro do Ralo (2007), O Primo Basílio (2007) e Meu nome não é Johnny (2008), entre outros.

Essa originalidade – referida anteriormente - pode ser traduzida em características como adaptações literárias de autores consagrados de movimentos literários; a inclusão de personagens que representem diversos grupos sociais no país; variação de temas e gêneros que vão desde a violência urbana até as comédias românticas; a utilização de novos recursos tecnológicos etc.

Portanto, torna-se indispensável a análise da atual fase do cinema brasileiro sob o ponto de vista econômico-político no intuito de entender um cinema amparado pela indústria e capaz de manter uma estética própria, que reproduza representações mais estreitas com as condições sociais e culturais do país. Nosso estudo se propõe a interpretações críticas, porém, menos maniqueístas, em que o cinema pode combinar, de forma diversificada, elementos como consciência política, inovação estética e prazer espectatorial, em um contexto de uma indústria cinematográfica que viabilize economicamente a produção de filmes. Ressalta-se, inclusive, o papel do Estado e a Lei do Audiovisual (1993) que por meio de incentivo fiscal tem atraído empresas – na sua maioria, estatais – para investir em filmes.

A arte e a economia

Essa relação entre a economia e a arte é muito antiga. O início da interferência de empresas, governos e outras instituições remonta, segundo Almeida apud Augusto (2006: 459) a um período bem anterior, datado “ao final da era antes de Cristo, na Roma dos Augustos, quando a expressão mecenato tomou corpo como referência às atividades desenvolvidas por Caius Cilnius Maecenas […] que foi um grande articulador de uma política de relacionamento entre o governo e os pensadores, filósofos e artistas, utilizando-se desses últimos o prestígio e a aceitação […]”.

Ainda segundo o autor, “Mecenas arquiteta um dos mais sutis e eficientes sistemas de legitimação do poder da história” (Almeida apud AUGUSTO, 2006: 459).

Outro momento marcante par o mecenato foi o Renascimento na Europa (entre os séculos XV e XVII), em que artistas eram patrocinados por particulares que o sustentavam em troca de sua produção artística. Não é à toa que o período ganhou força e é até hoje reconhecido na História da Arte, com a valorização de nomes e obras consagradas.

Teóricos de áreas como a Comunicação, a Cultura e a Sociologia têm debatido a produção cultural e artística no contexto da economia de mercado. No capitalismo comercial, surgiu a primeira expressão artística burguesa: o folhetim. Tratava-se de uma arte de consumo, cujos capítulos eram publicados nos jornais, comprados periodicamente por um público com poder de consumo, que se deleitava com a fórmula definida pelo autor Wilkie Collins: “Faça-os rir, faça-os chorar, faça-os esperar”.

Curiosamente, o folhetim, mesmo tendo um aspecto marcadamente comercial, consistia em uma importante manifestação literária, de nomes consagrados, cujos traços autorais bem como a liberdade de conteúdo eram preservados (uma vez que quase todos tratavam de amenidades líricas do Romantismo).

Atualmente, diversos produtos midiáticos dispõem de fórmulas semelhantes. As novelas, legítimas descendentes do folhetim, também seguem um ritmo gradual que prende a atenção e atende aos anseios de milhares de telespectadores. A própria literatura é influenciada pela visão burguesa e, hoje, livros de “fácil digestão”, como Sabrina, Harry Potter, Crepúsculo e até os títulos de auto-ajuda compõem o topo do ranking dos mais vendidos. Os filmes comerciais – vide a indústria do cinema norte-americana – também são produtos acessíveis à grande massa.

Nas Teorias da Comunicação, autores divergem ao longo do tempo a respeito da interferência econômica na arte. Em sua obra (1992), Eco sintetiza a discussão entre os apocalípticos e integrados.

Os apocalípticos são estudiosos que criticam duramente os grandes meios de comunicação e o interesse econômico das multinacionais na cultura. Nesse panorama, enquadra-se notoriamente a Escola de Frankfurt após a Segunda Guerra Mundial. Tal movimento cunhou, inclusive, o termo “indústria cultural” para evidenciar a produção em série da bens simbólicos, o que transformou a cultura em mercadoria. “Nas sociedades capitalistas avançadas […] a população é mobilizada a se engajar nas tarefas necessárias à manutenção do sistema econômico e social através do consumo estético massificados, articulado pela indústria cultural” (RÜDGER, 2001: 133).

Na outra ponta da discussão, encontram-se os integrados, cuja visão teórica alia de modo mais harmonioso a produção cultural voltada à massa, sustentada por grandes grupos empresariais. Nesse sentido, destacamos os autores da Escola Europeia, do qual o próprio Eco faz parte e que encontra autores como Edgar Morin e Roland Barthes. Sem deixar a crítica de lado, esses pesquisadores enxergam os produtos da cultura de massa como algo necessário à vida humana.

As divergências teóricas se estendem para outros aspectos – não menos importantes: “Os estudos culturais, o pós-modernismo e o culturalismo da Escola de Frankfurt rivalizam entre si com a teoria da posição-subjetiva, oferecendo explicações do conhecimento e da ção que são igualmente fundacionais” (BORDWELL, 2004: 36)

O Cinema de Retomada

Trazendo essa discussão teórica para o cinema no Brasil, percebemos desde a década de 1990 uma produção nacional cinematográfica diferente da experimentada em fases anteriores, que inaugura a retomada do público às salas de cinema para prestigiar a produção nacional sem, contudo, esbarrar necessariamente nas fórmulas hollywoodianas, do antigo studio system na qual toda a produção estava atrelada às empresas patrocinadoras que interferiam no roteiro dos filmes, na escolha do elenco e de cenários. Ao mesmo tempo a produção brasileira vem amparada por grandes empresas, nacionais e multinacionais, que se unem estrategicamente para lançar um filme. Os meios de comunicação, inclusive, têm denominado essa fase como uma “retomada do cinema brasileiro”, dando-se a partir de filmes como Carlota Joaquina, a princesa do Brasil (1995), Central do Brasil (1998) e O que é isso Companheiro (1997). O interesse crescente do público continuou com obras como O Bicho de Sete Cabeças (2001), Abril despedaçado (2001), Cidade de Deus (2002), Carandiru (2003) e Tropa de Elite (2007), além dos títulos já citados neste artigo.

As especificidades dessa nova época no cinema se dão ainda mais claramente quando estudamos fases anteriores da produção fílmica no Brasil. No Cinema Novo, por exemplo, Glauber Rocha fundamenta sua obra na “estética da fome”, tendo a fome como metáfora e metonímia, isto é, não só como tema, mas também como uma referência às condições materiais de produção de suas obras. Hoje, o cinema brasileiro no grande circuito está distante desse movimento, mas é capaz de manter raízes estéticas que o liguem a uma tendência única, diversificada e original, privilegiando representações próprias da cultura brasileira.

Valendo-se dessa justaposição os filmes brasileiros também passaram a ganhar mais espaço nas salas de cinema, bem como em outros pontos de distribuição (TV paga, locadoras e até eventos tais como mostras e festivais de cinema). Ganhando força junto ao público, o cinema no Brasil aproxima-se do panorama que temos na televisão (com novelas, programas de auditório, programas jornalísticos) e na música (em que existe uma forte presença de ritmos brasileiros). Com isso, o Brasil abandona a perspectiva, já equivocada, de um “Terceiro Mundo” incapaz de produzir filmes e receptor passivo frente a uma onda exclusivamente dominada pelo mercado produtor norte-americano. A produção do “Terceiro Mundo”, na qual se enquadra o Brasil, não pode ser considerado marginal em relação à indústria de cinema do “Primeiro Mundo”. Ao contrário, tem produção significativa no cenário global.

Foi a partir de observações preliminares que notamos uma interessante característica na produção fílmica contemporânea no Brasil. Grandes empresas como a Globo Filmes e até multinacionais passaram a investir na produção e distribuição de filmes que tivessem um rigor e padrão de produção mais próximas do cinema de Hollywood em termos de rotina produtiva e tecnologia. Mesmo com o suporte dessas empresas, parte importante e considerável do cinema nacional não está necessariamente atrelada à fórmula hollywoodiana, com efeitos, roteiros e temas americanizados. Ou seja, não existe uma pressão explícita do mercado sobre o autor/diretor/produtor a ponto de comprometer a essência de sua obra.

A atual referência do cinema como negócio é, sem dúvida nenhuma, Hollywood, que trabalha aspectos mercadológicos e psicanalíticos em suas obras a fim de obter resultados financeiros e de público. Nesse contexto, existem “duas ‘máquinas’ em operação no interior da instituição cinematográfica: a primeira, o cinema como indústria, produzindo commodities cuja venda na forma de ingressos oferecia o retorno do investimento; a segunda, a máquina mental, internalizada pelos espectadores e que as adota para o consumo de filmes como ‘bons objetos’ prazerosos. Uma das economias, que envolve a geração do lucro, está intimamente ligada à outra, que envolve a circulação do prazer […]” (METZ apud STAM 2003: 190).

Destaca-se que os países como o Brasil têm procurado alternativas para produzir filmes de maneira competitiva – ainda que isso se restrinja em boa parte ao seu mercado interno. Soma-se a isso o advento de novas tecnologias e meios de comunicação como a internet. “[…] Ao longo do seu primeiro século de luzes, o cinema nunca teve contestado o seu cerimonial. Muitos de nós são internautas, navegam neste mundo de computadores, perseguindo pixels, em busca das novas imagens do futuro. Mas ainda não nasceu a geração que vai prescindir do cerimonial do cinema” (MERTEN, 2003:10).

A seguir, veremos os caminhos trilhados atualmente pela produção cinematográfica nacional.

O cinema e o marketing cultural

Conforme Augusto (p. 457), no Brasil é crescente a atenção das empresas às manifestações culturais como forma de diferenciação competitiva, o que implica em um “posicionamento favorável da marca perante a sociedade e, consequentemente, perante o consumidor. Esse apoio dado à cultura pela iniciativa privada foi denominado de marketing cultural” (AUGUSTO, 2006: 457).

Nesse cenário em que as empresas se mobilizam para, de alguma forma, fomentar as expressões artísticas e culturais, dá-se a soma de importantes atores sociais nesse processo, a saber: o artista, o produtor, o ator, o agente e outras pessoas envolvidas na produção de uma peça teatral, de um filme, de um vídeo, de um evento cultural.

Para Manet apud Augusto (p.548), “cultura é informação, conhecimento e exercício de valores sociais, hábitos e normas consagradas por práticas que identificam o modo de vida de uma comunidade vinculada a valores dominantes ou desejáveis”.

“Como o público tem diminuído, e a pressão sobre os produtores para competirem por esse público reduzido aumentou, houve muitas mudanças nas práticas da indústria cinematográfica”(TURNER,1997: p.15). Nesse sentido, o autor nos explica que “[…] a indústria tem sido cautelosa ao escolher projetos para patrocinar” (p.15).

No Brasil, a alternativa mais recente e que já surtiu resultados substanciais foram as leis de incentivo cultural, as quais têm atraído o interesse de empresas públicas e privadas (Petrobrás, Vale, Odebrecht, do ramo de telefonia celular e telecomunicações etc).

Vale a ressalva de que o modelo das leis – em âmbito federal, estadual e municipal – tem recebido críticas dos estudiosos da área de cinema.

Outro aspecto é o forte movimento de marketing cultural que as leis provocaram na cultura organizacional das empresas patrocinadoras. “[…] Entende-se que a participação da iniciativa privada, no que tange às doações ou mesmo ao patrocínio, é vista como estratégia na busca de melhorar o contexto competitivo da organização […]. Ou seja, utilizar a filantropia estratégica significa alinhar as metas sociais e econômicas, melhorando as perspectivas comerciais de longo prazo da empresa” (AUGUSTO, 2006: 462)

Considerações finais

O cinema nacional tem se valido de recursos originais e também artísticos mantendo uma estética diferenciada. Em outras palavras, tem se apoiado em dois pilares: arte e indústria, obtendo resultados que quebram a falsa dicotomia entre arte de massa alienante e arte vanguardista de acesso restrito. O cinema brasileiro parece propor uma reconciliação entre o apelo popular (sucesso comercial) e a crítica social, como em filmes supracitados.

Entendemos uma justaposição, não-maniqueísta, desses dois eixos, com uma produção fílmica contemporânea no Brasil de caráter conciliador, que aglutina elementos culturais e econômicos, sem se isolar em uma arte vanguardista de difícil acesso ou uma arte de massa alienante. Como resultado, vemos inaugurada uma nova fase fílmica no Brasil, sem caráter coletivo ou uma estética definida, mas que garante um florescimento de obras significativas e de grande repercussão.

Atualmente, o cinema brasileiro não propõe uma ruptura com a estética hollywoodiana, mas, ao mesmo tempo, não deixa de absorver valores nacionais às suas narrativas. Trata-se de um cinema capaz de reconhecer e levar em consideração os desejos do espectador, evitando um hermetismo que, sob o pretexto do engajamento social, fecha-se em uma linguagem inacessível e um tratamento pouco atraente, que anulam o prazer do espectador. Em outras palavras, é possível estimular o questionamento sem anular o viés prazeroso de assistir a um filme.

Sendo assim, compreendemos o cinema como um meio globalizado tanto em termos estéticos, quanto de autoria e de distribuição, um cinema capaz de combinar criatividade autoral, popularidade de massa, literatura nacional e rotina produtiva cinematográfica.

Mais Sobre a Companhia da Querida Alejandra Sampaio


A Velha Companhia surgiu em 2003, de um trabalho paralelo às pesquisas sobre a obra do autor Nelson Rodrigues, que desenvolviam no grupo Círculo dos Comediantes (1994). Formada por Alejandra Sampaio, Kiko Marques e Virgínia Buckowski, a Companhia têm em seu repertório os espetáculos: Brinquedos Quebrados (2003/2004), Crepúsculo (2005/2006) e Ay, Carmela! (2007/2008). A Companhia trabalha com artistas convidados, utiliza textos de dramaturgia pronta e desenvolve trabalho de dramaturgia própria. Recebeu o Prêmio Myriam Muniz FUNARTE- 2006, com o projeto Reminiscências ou Resgate da Tradição Oral, onde promoveu debates com enfoque na terceira idade (com os convidados Gilberto Dimenstein e Stepan Nercessian), trabalho artístico-social em asilos públicos de São Paulo que resultou num grande sarau na Vila Maria Zélia, criação de um novo texto teatral intitulado “O Cais ou da Indiferença das Embarcações”, sobre a Ilha Grande-RJ e apresentações populares do espetáculo Crepúsculo (sobre o Retiro dos artistas).
Com Brinquedos Quebrados, espetáculo destinado ao público jovem foi eleito um dos cinco melhores espetáculos do ano de 2003 pelo Portal IG (Michel Fernandes).
Com Ay, Carmela! foi selecionada para a Mostra do Instituto Cultural Capobianco (onde estreou em agosto de 2007), pelo edital da Caixa Econômica Federal (para se apresentar em 2008 em suas dependências) e participou do projeto Circuito Cultural Paulista (2008) da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, que levou o espetáculo para várias cidades do interior. Recebeu o Prêmio Qualidade Brasil na categoria melhor atriz e teve indicação na categoria melhor ator. No Festival Nacional de Teatro de Americana-SP recebeu o prêmio de melhor ator, iluminador e 3º melhor espetáculo, além das indicações de melhor atriz e diretor. É responsável pela vinda do autor espanhol José Sanchis Sinisterra (que estava no Rio de Janeiro á convite do Teatro Poeira) á São Paulo, promovendo um bate papo sobre a criação do texto Ay, Carmela!, e debate sobre dramaturgia contemporânea, mediado por Sebastião Milaré, com apoio do Centro Cultural Vergueiro e Instituto Cervantes de São Paulo.

quarta-feira, 24 de março de 2010

A Eterna Busca do Falo Dourado


Por causa da produção do longa metragem, JESUS DO BRASIL, estou fazendo uma pesquisa do comportamento do espectador em função dos temas, formas e linguagens exibidas nos meios de comunicação. Nada melhor que utilizar o reality show, BBB, como ferramenta de trabalho, além das questões polêmicas que fervilham nos noticiários.

Por causa disso tenho acompanhado todos os fóruns, debates, postagens, enfim tudo que mostra a manifestação do público direto na internet. A minha primeira conclusão é que vivemos em uma sociedade cuja visão se limita à um espaço de valores éticos herdados de uma educação conservadora e fundamentada em preceitos religiosos. A maioria das pessoas não tem o interesse em diversificar as fontes de informação para criar um ponto de vista próprio, há simplesmente uma apropriação dos dogmas sustentada pela ignorância.

Vamos começar pelo fato do programa, BBB10, ter confinado em um mesmo espaço, homossexuais e homofóbicos ou adeptos do “orgulho hétero”. A primeira e mais visível reação da sociedade foi massacrar o programa, o público temia que as transformações da Drag Queen, Dimmy Kieer fossem um ultraje à formação do jovem brasileiro. Todos se sentiam ameaçados por uma possível cena homoafetiva, ou um beijo gay, que adentrassem seus lares. Eu vi coisas escritas na internet como: “morte aos veados”... “meus filhos estão proibidos de assistir à estas aberrações”...

Ora, a sociedade tem medo que um gesto de amor ou tesão homossexual sirva de mau exemplo para jovens brasileiros e ataca o reality show que mostra apenas um “selinho”! Em contrapartida a mesma sociedade apóia e acha normal as atitudes de um participante do programa, um ignorante com cara de delinqüente que comete erros grotescos de português (“seje” homem ou “pra mim acreditar”), uma pessoa que chama o companheiro de programa de “veado”, um cidadão que expressa seu desejo de agredir fisicamente uma mulher ou tatuar a suástica, um limitado que ao discutir com os companheiros apela para expressões como “tomar no cu” e “puta que te pariu” ... E o pior: alguém que afirma categoricamente que o HIV não é transmitido em relações heterossexuais!

Será que estas famílias querem educar seus filhos nestes moldes? Criar agentes geradores de violência? A Resposta é NÃO! Na verdade, esta grande parcela da sociedade está demonstrando a dificuldade de tolerar a auto repressão sexual, o pseudo correto, algo bem típico do machismo das mulheres e homens latinos. Há pouco tempo eu li sobre uma pesquisa feita no Reino Unido, as mulheres inglesas sentem maior atração sexual pelos italianos do que pelos próprios ingleses, e sabem por quê? Pelo simples fato do homem inglês ser mais recatado, mais politicamente correto ao abordar uma mulher (há muitos casos de homens na Inglaterra que são processados por assédio sexual por causa de uma cantada ou algo do gênero e foi isto que fez mudar o comportamento do homem em relação à mulher, neste país). Já os italianos continuam se achando no direito de cortejarem as mulheres da maneira que mandam seus hormônios.

Enfim, a sociedade não sabe dar nome aos sentimentos, às atitudes, não sabe por que luta. O tesão recolhido induz à busca do cultuado falo, o símbolo da virilidade, do prazer, do poder tanto para os homens quanto para as mulheres. Os espectadores do BBB, na verdade, desejam um falo de ouro, o falo do Dourado que fala mais alto.

Enquanto negarmos a existência do desejo sexual, do desejo homossexual, da diversidade de gêneros ou formas de expressão, latente dentro de todos, vamos continuar nesta dialética de criação de normas que desejamos burlar.

POR: ROBERTO CHRISTO

sábado, 20 de março de 2010

Vejam que legal o que o Zé Geraldo Couto postou no blog

19/03/2010

Como destruir um filme

Se eu aprendi alguma coisa nesses anos todos de crítica de cinema, foi que, para quem escreve, é muito mais fácil destruir um filme do que tentar desvendá-lo aos olhos do leitor/espectador ou, como queria André Bazin, "prolongar o máximo possível, na inteligência e na sensibilidade dos que o lêem, o impacto da obra de arte".

Ah, demolir é tão mais tentador. É ali que o soi disant crítico pode não apenas destilar o seu fel como exibir o seu talento para o sarcasmo e a tirada espirituosa. Geralmente em frases curtas, sentenciosas, definitivas. Em alguns casos, sou obrigado a admitir, o resultado é irresistível.

Como no exemplo máximo de concisão e crueldade atingido por Pierre Ajame, no L'Observateur: "Esperávamos o pior, e é pior". Ou na crítica imaginada por Jorge Luis Borges na Arte de injuriar: "Um encanto o último filme do engenhoso diretor René Clair. Quando nos despertaram..."

Nem sempre as críticas demolidoras têm essa finesse. No mais das vezes limitam-se a elencar adjetivos brutais e piadas um tanto óbvias. Outra coisa que aprendi: quanto menos argumentos se tem, mais virulenta é a linguagem.

Atribuir intenções

Uma das estratégias mais usadas para destruir um filme é atribuir a seu diretor intenções que ele teria deixado de realizar. Exemplo recente: pouco importa que Michael Hanecke tenha dito mil vezes que não pretendeu descrever a gênese do nazismo em A Fita Branca. Vira e mexe, um crítico o condena por ter explicado de maneira pouco consistente ou convincente... a gênese do nazismo.

Outro recurso infalível é a comparação desvantajosa com outro filme que trate de tema correlato ou que lance mão de algum procedimento estético parecido. Como se toda narrativa descontínua, por exemplo, quisesse emular o Cidadão Kane ou todo drama num espaço fechado tivesse que se igualar a um Bergman.

Disposição prévia

Há sempre como iluminar os aspectos da obra que, isolados do conjunto, corroboram a visão negativa.

Para ilustrar melhor o que quero dizer, não resisto à tentação de transcrever um trecho de um artigo que publiquei na Folha há 16 anos, no curso de uma polêmica um tanto acalorada com Marcelo Coelho, de quem sou admirador, a propósito de Manoel de Barros. Lá vai:

Vista ao microscópio e sem um mínimo de generosidade, toda grande literatura, toda grande obra, tem em seu interior passagens "amadorísticas", "filosofias triviais", "banalidades". Por que escapa de ser considerada uma platitude uma frase como "Viver é muito perigoso", reiterada inúmeras vezes ao longo de "Grande Sertão: Veredas"? Porque, dirá um estudioso, é como um mero tijolo numa catedral, um motivo recorrente numa sinfonia etc.

Mas o fato é que um crítico azedo, quando o livro foi lançado, poderia ter-se prendido a frases como essa para dizer que Rosa não passava de um tapeador –como, aliás, muita gente achava e alguns continuam achando. O mesmo vale para os famosos primeiros versos de "Os Lusíadas", de Camões, com a repetição insistente da rima "pobre" de verbos no particípio: "assinalados/ navegados/ esforçados" etc.


O que quero dizer é que a avaliação de uma obra depende muito da disposição prévia do crítico. Se ele quiser destruí-la, nada o impedirá de fazê-lo –nem mesmo a qualidade da obra em questão. Tomemos o "Hamlet" (de Shakespeare, não o do Zé Celso). O crítico poderia escrever:


"Um texto confuso, em que não se sabe se o protagonista é louco de verdade ou se finge sê-lo, e cujos buracos na trama são preenchidos por longos e tediosos monólogos em que despontam frases idiotas como 'Ser ou não ser, eis a questão' ou 'Há mais coisas entre o céu e a Terra do que sonha sua filosofia'. Em certos momentos, para fazer avançar a ação, o autor chega a apelar ao artifício fácil de fazer aparecer um fantasma. Aparentemente sem saber que desfecho dar a seu estapafúrdio enredo, o autor coroa tudo com um dos finais mais ridículos da história do teatro, em que morre literalmente todo mundo, uns envenenados, outros feridos à espada. Em suma, o tipo do espetáculo que deve agradar uma classe média ociosa que nunca ouviu falar em Corneille e Racine."

Fim da autocitação. Desculpem se me estendi, mas acho que o assunto merece.

FONTE: http://blogdozegeraldocouto.folha.blog.uol.com.br

sexta-feira, 19 de março de 2010

"Andy Warhol, Mr. America" (São Paulo)


Após passagem pelo Malba (Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires), chega à capital paulista mostra com cerca de 170 obras do norte-americano Andy Warhol, um dos mais importantes e influentes nomes da arte pop. Com curadoria de Philip Larratt-Smith, a exposição apresenta trabalhos que exploram temas relativos à política e à cultura popular dos Estados Unidos, além de filmes produzidos pelo artista em seu próprio estúdio, "The Factory". A abertura acontece no sábado (20), a partir das 12h, e o evento segue em cartaz até o dia 23 de maio de 2010. Onde: Estação Pinacoteca (lgo. General Osório, 66, Centro, São Paulo-SP; de terça a domingo, das 10h às 18h). Quanto: R$ 3 a R$ 6 (sábado, grátis). Inf.: 0/xx/11/3335-4990.
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